quinta-feira, 9 de julho de 2015

PF diz ao STF que provas indicam 'doação eleitoral como corrupção'Entenda a operação Lava Jato (Henrique Coelho / G1)

Delegados querem nova acareação na Lava Jato para confirmar versões.
Documentos elaborados pela PF foram tornados públicos nesta quarta (8).Relatórios enviados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) em três inquéritos da Operação Lava Jato e tornados públicos nesta quarta-feira (8) afirmam que a coleta de provas realizada até agora sobre o envolvimento de políticos "indica a tipicidade da doação eleitoral como forma de corrupção".

A constatação é parte dos pedidos de prorrogação por 60 dias das diligências, análise de materiais e depoimentos nos inquéritos contra os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO), Humberto Costa (PT-PE) e Lindbergh Farias (PT-RJ). Todos negam envolvimento em irregularidades no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

"Existem elementos iniciais suficientes que indicam a tipicidade da doação eleitoral como forma de corrupção", afirmou a delegada Graziela Machado da Costa e Silva, uma das responsáveis na PF por inquéritos contra deputados e senadores.

 Ao citar depoimentos de diversos delatores e mostrar que foram constatadas doações oficiais para campanhas dos políticos nos mesmos valores mencionados por empresários que estão colaborando com as investigações, a delegada cita "elementos iniciais suficientes" de que o dinheiro destinado para as campanhas eleitorais eram fruto de desvios na estatal.
Nos inquéritos, a Polícia Federal aponta que o órgão "compilou alguns dados de doações eleitorais que denotam a relevância e protuberância dos valores despendidos por empresas privadas, especialmente as empreiteiras contratadas pela Petrobras".

Nova acareação
Ao pleitear mais prazo para investigar a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA), a PF pede a realização de nova acareação entre dois delatores da Lava Jato, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.
"A investigação reclama, na busca da verdade, uma acareação entre Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, que pode implicar a harmonia ou o distanciamento das versões por eles apresentadas, sob compromisso de dizer a verdade", diz documento assinado pelo delegado Felipe Alcântara de Barros Leal.
 Segundo o processo, Paulo Roberto afirmou que destinou R$ 2 milhões à campanha de Roseana Sarney por meio de Lobão e que Youssef teria entregado os valores, mas o doleiro nega o repasse. Roseana e Lobão também negam envolvimento no esquema.

A PF quer, além da nova acareação, acesso a dados telefônicos de Lobão e Roseana para "confrontar extratos telefônicos, valendo-se inclusive da autorização de acesso a tais dados".