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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Dilma diz ser 'insustentável' reajuste aprovado a servidores do Judiciário

Senado aprovou nesta terça (30) reajuste de até 78% aos servidores.
Em visita ao complexo do Google, nos EUA, ela não disse se vai vetar.
 

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (1º) ser "insustentável" o reajuste de até 78% aprovado a servidores do Judiciário nesta terça (30) pelo plenário do Senado. Dilma deu a declaração após visitar o Complexo do Google, em São Francisco, na Califórnia (EUA), mas não disse se vetará a mudança.
O projeto de lei prevê que o aumento – entre 53% a 78,56% – será concedido de acordo com a função exercida por cada servidor. Pelo projeto, o reajuste será escalonado, de julho de 2015 até dezembro de 2017, e o pagamento será feito em seis parcelas.

Com a aprovação no Senado, o reajuste agora depende da sanção da presidente Dilma. Caso ela opte por vetar, o Congresso deverá analisar o veto.


"Nós achamos lamentável [o reajuste], até porque é insustentável para um país como o nosso – em qualquer circunstância – dar níveis de aumento tão elevados", declarou a presidente.

Mais cedo, também em São Francisco, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que o aumento é "incompatível" com o atual cenário econômico do país e deverá ser vetado pela presidente.

O governo era contrário ao projeto em razão do impacto nas contas públicas. Segundo o Ministério do Planejamento, o aumento custará R$ 25,7 bilhões nos próximos quatro anos. Um requerimento para adiamento da votação chegou a ser apresentado no plenário, mas foi rejeitado. Somente a bancada do PT votou a favor do requerimento.

A presidente Dilma Rousseff acena antes de pegar carona em um carro sem motorista na sede do Google em Mountain View, na Califórnia (EUA) (Foto: Josh Edelson/AFP) Dilma Rousseff acena antes de pegar carona em um
carro sem motorista na sede do Google em Mountain
View, na Califórnia (EUA) (Foto: Josh Edelson/AFP)
Na avaliação de Dilma o reajuste aprovado pelo Senado "compromete" o ajuste fiscal, proposto no início do ano pelo governo com o objetivo reduzir gastos e reequilibrar as contas da União.

"Como estamos na democracia é assim: tem dia que você ganha e tem dia que você perde. Mas nós ainda teremos oportunidades de avaliar como vai ser a questão do aumento. Agora, de fato, compromete o ajuste fiscal", disse a presidente, ao declarar que fala sobre veto "antes da hora".

Após visitar o Complexo do Google, a presidente se reuniu em São Francisco com a ex-secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice. Ela ainda se reunirá na cidade com empresários do setor aeroespacial.

A presidente Dilma Rousseff durante entrevista coletiva no complexo do Google, em São Francisco (EUA) (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR) 
A presidente Dilma durante entrevista na sede do
Google, nos EUA (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
'Clima político'
Questionada sobre o "clima político" no Brasil, Dilma disse que o atual cenário "faz parte" e a faz ficar "mais atenta" e se "dedicar mais" para resolver os problemas que exigem do governo. Em sua fala, Dilma agradeceu o Congresso Nacional pela aprovação das medidas que compõem o ajuste fiscal.

"Parte expressiva do ajuste foi aprovada. Então, eu acho que tem hora que criam um clima que não existe [entre ela e o Congresso]. Ora a gente perde, ora a gente ganha", disse.


Visita aos EUA
Dilma chegou ao país no último sábado (27) e desembarcou em Nova York. Na cidade, ela se reuniu no domingo (28) e a segunda (29) com empresários de diversos setores e apresentou a eles o Plano de Investimento em Logística, que prevê concessões em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias.

Nesta terça, ocorreu a chamada "visita de governo" ao país. Um ano e nove meses após cancelar a visita de Estado – a mais alta na diplomacia – que faria aos Estados Unidos, em razão das denúncias de espionagem, Dilma fez a primeira visita oficial à Casa Branca. Na sede do governo norte-americano, ela se reuniu com o presidente dos EUA, Barack Obama.

Oportunidades no Brasil
Dilma participou nesta terça da cerimônia de encerramento da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos, em Washington. Em seu discurso, de 25 minutos, ela defendeu as oportunidades de investimento no Brasil e afirmou que o país está "aberto" aos investidores estrangeiros.